As denúncias de corrupção contra o presidente Michel Temer, do PMDB, e o senador Aécio Neves, do PSDB, que estariam envolvidos na negociação e recebimento de propinas, repercutiram nos pronunciamentos dos parlamentares na Reunião Plenária dessa quinta. Para deputada Priscila Krause, do Democratas, a ocupação do cargo de presidente por Temer foi uma saída constitucional, mas não garantia a ele salvo-conduto para atos de corrupção. A parlamentar alertou para a importância de preservação das instituições democráticas do País. Ela disse ainda que a corrupção descoberta agora não anula os erros cometidos por Dilma Rousseff. “Vindo a confirmação de todos esses fatos, nós não podemos achar que isso absolve o que aconteceu antes. O que aconteceu e que foi suficiente para promover o impeachment da presidente Dilma, que foi um processo democrático, sim, previsto na Constituição.”
Para a deputada Teresa Leitão, do PT, não dá para permitir que o atual Congresso modifique tão radicalmente o quadro de direitos do cidadão e continue votando e aprovando as reformas. Ela também discorda que os parlamentares federais venham a eleger indiretamente um novo presidente para o País. Ela defende que a investigação e as punições de todos os envolvidos. “Nada de cruzar os braços, nada de confiar em uma justiça que já não é cega, nada de desejar o quanto pior melhor, mas de exigir, como desde o início nós exigimos, a total e irrestrita apuração dos fatos denunciados e dizer que este presidente não tem condições de continuar governando o Brasil.”
Ainda por causa das denúncias de corrupção na Presidência da República, o líder oposicionista, deputado Sílvio Costa Filho, do PRB, justificou o cancelamento do Programa Pernambuco de Verdade, na região da Mata Norte. Na ocasião, deputados fariam vistoria em obras paralisadas. Costa Filho defendeu a renúncia do presidente e novas eleições. “Eu defendo eleições diretas, porque só através do voto popular, através de uma pauta que possa ser apresentada ao Brasil, um governo com legitimidade é que a gente vai buscar avanços, sobretudo para o fortalecimento da democracia brasileira.”
A crise política também foi tema do pronunciamento da deputada Terezinha Nunes, do PSDB. O respeito à Constituição a às instituições democráticas como o Congresso Nacional, deveria ser a maior preocupação neste momento, de acordo com a parlamentar. Para ela não realizar as eleições indiretas representaria um golpe de Estado. Sobre as acusações contra o senador Aécio Neves, a deputada afirmou que o PSDB não acolhe corruptos.“Quem tiver que ser preso será preso e tem que ser preso. Se o presidente do meu partido tem culpa, que seja preso. O PSDB nunca acolheu corrupto.”
O deputado Tony Gel, do PMDB, classificou de “protocolar” e “pequena” a nota divulgada pela Presidência da República sobre as acusações. O parlamentar acredita que o presidente Temer tem que fazer um pronunciamento para esclarecer o caso, sob pena de causar problemas severos na economia do País, que já está em crise. Ele defende a realização de eleições indiretas.
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